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Idealismo
Cuba não retornará jamais ao capitalismo
Cuba e seu processo revolucionário ainda engendram paixões, alimentam personagens quase míticos, despertam admiração e repulsa. Ao completar 50 anos, a Revolução Cubana nos revela a confiança de um povo em transformar suas condições sociais, fugindo da perspectiva trágica e estática da história
por RODRIGO AUGUSTO PRANDO e JOÃO FRANCISCO SIMÕES

MONTAGEM: YVES SANTAELLA BRIQUET / IMAGENS: SHUTTE

Um dos temas mais importantes no campo da Sociologia diz respeito à mudança social, ou seja, aos aspectos econômicos, políticos e sociais que se prestam à conservação da ordem social e à sua mudança. A esta temática os autores clássicos - Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber - dedicaram o melhor de suas inteligências. Entender o porquê da manutenção e da transformação social exige, sem dúvida, um bom domínio das Ciências Sociais. Da Sociologia, pois este fenômeno impacta a vida dos indivíduos, grupos e classes sociais; da Ciência Política, já que mudanças sempre trazem em seu bojo a dimensão do poder político; da História, porque as ações humanas são historicamente contextualizadas e, por isso mesmo, são processos sociais dinâmicos.

Dos clássicos da Sociologia, é Karl Marx aquele que alicerça parte substancial de sua obra sobre os elementos atinentes à mudança social. Na visão de Marx, se a realidade é dinâmica e contraditória - oriunda da oposição elementar entre as classes sociais - o método de apreensão desta realidade e daquilo que a transforma só poderia, também, ser dinâmico e contraditório, portanto, dialético. Assim, a revolução é um dos processos mais destacados no estudo do marxismo, em sua vertente teórica e prática.

Não há, em Marx, o desejo de neutralidade axiológica presente em Durkheim e Weber, o estudo científico seria conjugado com a ação política. Numa das teses à Feuerbach, Marx afirmaria que, mais importante do que explicar o mundo, seria transformá-lo (MARX; ENGELS, 1996).

A teoria marxista, o materialismo histórico e dialético, postula não apenas o entendimento científico da ordem social, mas o uso da ciência para desmascarar categorias ideológicas e mistificadas - presentes nas relações sociais - no intuito de construir uma nova sociedade, numa etapa da história, sem dominação de classes e com socialização dos meios de produção. É esse pensamento e suas variadas interpretações consubstanciadas nos diversos "marxismos" que exerce importante influência, em 1917, num dos principais eventos do século XX: a Revolução Russa e a constituição da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a divisão do mundo em dois grandes blocos antagônicos - os países capitalistas (com os EUA à frente) e os países socialistas (com a hegemonia da URSS).

A história e, mais especificamente, a memória histórica, é caprichosa em seus meandros. Cuba e seu processo revolucionário engendram, ainda hoje, paixões, alimentam personagens quase míticos, despertam admiração e repulsa (nossos deuses e demônios, como diria Max Weber). O artigo, aqui proposto, objetiva tratar de alguns desses aspectos atinentes ao processo revolucionário cubano, não em sua totalidade, mas em alguns temas considerados relevantes sociologicamente.

FOTO: VALTER CAMPANATO / AB
Não basta a miséria e as condições estruturais e objetivas. Para se ter uma revolução, é necessário também o componente subjetivo: a consciência política e a vontade revolucionária, uma organização social e política
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