Cotidiano Sociedade do Controle Somos sim vigiados em toda parte, mas sem o aspecto sombrio de outros tempos de perder a liberdade ou ser punido. A visibilidade ganhou status por PATRÍCIA PEREIRA
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PATRÍCIA PEREIRA é jornalista e escreve para esta publicação
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Sorria, você está sendo filmado". Já leu isso em algum lugar? Provavelmente sim. A frase - e a nova realidade social que ela traz embutida - pode ser vista como um retrato de nossa sociedade: a vida de cada um é exposta e controlada, mas há certa alegria nisso. A disseminação de tecnologias como câmeras, celulares e internet permite um controle cada vez mais eficiente sobre os indivíduos. Além disso, o público invade as fronteiras do privado. Vão desaparecendo os espaços indevassáveis, sejam físicos ou subjetivos. Ok, não dá mais para se esconder, mas é um luxo abrir o Google e encontrar tudo.
Um olho parece nos acompanhar em toda parte. Teremos chegado à realidade do Grande Irmão (personagem fictício criado por George Orwell, no livro 1984, que a todos vê e controla)? Não, são unânimes em afirmar os estudiosos do assunto. A semelhança pára na onipresença dessa vigilância. Mas nos dias de hoje, o controle não é central e com o propósito de punir, como o feito pelo Grande Irmão, e sim proveniente de toda parte e com objetivos variados (Veja quadro Quem é o 'Grande Irmão'?) .
| Quem é o Grande Irmão |
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Personagem de George Orwell no livro 1984, O Grande Irmão (ou Big Brother, na versão original), é a figura por meio da qual, na ficção escrita em 1948, o Estado controla toda a sociedade. Orwell imaginava uma ditadura totalitária em que todos os cidadão eram vigiados, o Estado era onipresente e as liberdades individuais eram limitadas. O Grande Irmão não é conhecido pessoalmente, mas todos o podem ver em telões existentes em locais públicos e nas residências. Esses telões eram como televisores bidirecionais - que permitem ver e ser visto. Sendo assim, não havia como se esconder dos olhos do Grande Irmão. O autor escreve 1984 baseado em sua visão sobre os regimes totalitários que dominavam a Europa e a Ásia nas décadas de 1930 e 1940. Algumas de suas inspirações foram os governos de Stalin, Hitler e Churchill. A crítica do livro não se resume ao stalinismo e ao nazismo. Orwell põe em evidência a nivelação da sociedade e a redução dos indivíduos a peças que servem ao Estado ou ao mercado. |
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Uma faceta interessante dessas tecnologias que nos expõem e, muitas vezes à revelia de nossa vontade, nos controlam, é que elas contam com o aval da própria sociedade. Ocorreu a interiorização do hábito de vigilância e a valorização da visibilidade.
IEDA TUCHERMAN, professora do programa de pesquisa de pósgraduação da Escola de Comunicação da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que quando se começou a falar em políticas de controle, com Foucault, o assunto estava sempre relacionado a lugares fechados, como prisões, escolas e hospitais.
Mas, aparentemente, fora desses ambientes, em espaços privados, esse controle não existia. Eram espaços livres. "Hoje a tecnologia de informação permite o controle a céu aberto, sem a necessidade de se estar em um espaço fechado. Não se pode mais namorar em elevador, por exemplo. Lá passou a ser visível, filmado. Essa idéia de se ter o tempo todo a possibilidade de ser visto existe e é radical", diz.
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