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Nelson Dácio Tomazi
por LEJEUNE MATO GROSSO DE CARVALHO

A partir desta edição da Sociologia Ciência & Vida, teremos uma nova coluna de entrevistas com sociólogos que atuam nas diversas áreas profissionais da Sociologia. Vamos relacionar o saber adquirido cientificamente na Universidade com as tarefas diárias no mercado de trabalho. É o que chamamos de "profissionalização" da ciência. Iniciamos esta série intitulada Sociólogos & Sociologia, com o sociólogo e professor Nelson Tomazi, por ser a docência um dos maiores mercados de atuação, principalmente após a obrigatoriedade do ensino de Sociologia em todas as quase 25 mil escolas de ensino médio do País este ano.

Nelson Dácio Tomazi nasceu em 1945, no interior de Santa Catarina. Formou-se em Ciências Sociais, pela Universidade Federal do Paraná em 1972. Trabalhou como sociólogo na área de planejamento urbano e educacional e a maior parte do tempo, foi professor na Universidade Estadual de Londrina, onde lecionou Sociologia, Ciência Política e Metodologia de Pesquisa e orientou trabalhos na graduação e na pós-graduação. Fez também mestrado e doutorado.

Depois de aposentado, aplicou aulas e orientou trabalhos na Universidade Federal do Paraná por um ano e meio. Atualmente se dedica a escrever e ministrar cursos e palestras e participa do trabalho coletivo de implantar uma Sociologia de qualidade no Ensino Médio brasileiro.

Descreva o que significa lecionar Sociologia?
Ser professor sempre foi um desejo muito grande e lecionar Sociologia para jovens foi o caminho escolhido. Não me arrependo. Durante mais de 30 anos fiz isso com muita vontade procurando sempre me atualizar e encontrar meios e formas que pudessem motivar os jovens alunos a entender a realidade mundial e nacional, mas também o cotidiano a partir de uma reflexão sociológica. Procurar desenvolver neles o que Charles Wright Mills chamava de imaginação sociológica.

A Lei 6.888/80, diz que "lecionar Sociologia geral e as especiais" é atribuição do sociólogo? Seria bom que os professores de Sociologia no Ensino Médio fossem também sociólogos?
Penso que esta lei deveria mudar, pois os estudantes que fizerem somente a licenciatura devem ser também sociólogos. Hoje, os estudantes que cursam a licenciatura, na maioria dos casos, fazem todas as disciplinas que dadas também aos bacharelados. A diferença é que bacharelandos devem fazer uma monografia e licenciados não. Entretanto, os licenciados possuem muitas outras disciplinas que os bacharelados não cursam. Assim, eles deveriam ser sociólogos também, só que com uma formação diferente.

As orientações curriculares nacionais (OCNs) do Ministério da Educação (MEC) mencionam que o professor do Ensino Médio deveria realizar pesquisas e preparar alunos para isso? É possível nesse nível de ensino?
As OCNs indicam, entre outras coisas, que os alunos do Ensino Médio, orientados pelos professores, devem desenvolver pesquisas, pois pensamos que esta é também uma forma de ensinar, colocando os alunos deste nível diretamente em contato com a realidade. É claro que é possível, pois todos os professores que formados em Ciências Sociais tiveram orientação para desenvolver uma pesquisa e essa prática já era indicada nos manuais de Sociologia desde a década de 1930.

Descreva o seu trabalho com cartoons, quadrinhos, charges, como recursos didáticos.
A utilização do humor gráfico presente em jornais e revistas, partiu da necessidade de encontrar outros meios além apenas dos livros e textos para ensinar Sociologia no ensino médio. Usamos também poemas, fotografia, curtas-metragens, música, entre outros elementos cotidianos. O humor é uma forma muito significativa para poder introduzir a disciplina em aula e fazer pensar sobre determinada questão social. Ademais, ele é muito bom para que os alunos possam se expressar sobre aquele assunto. O professor chega na aula, projeta uma charge e pede para os alunos comentarem. Poderá perceber que eles pouco a pouco irão se soltando e comentando o que está presente na charge. Foi aberto um espaço para eles falarem e se expressarem, o que a maioria dos professores não consegue ou não deixa. Nem toda a charge é utilizável, pois algumas não fazem pensar, são apenas denunciatórias e estas produzem apatia e aceitação do que é; e não deslocamentos tão necessários ao conhecimento.

Igniamcons ea faci blamet, vullut lummy niam dolessed delisi tem nismolendit nullamet, commolorer sisit aci te consequam, vero eum iriure dolobore velestionsed modolobore tate min ea augue dit nibh ex eugiat. Uptat, quatio core con vel er susci et nos nullan hendrem volessed euis ercil utat lum delit nis nis

Quais as perspectivas com relação ao livro didático de Sociologia no Brasil hoje?
Escrever para jovens é muito difícil, pois é um trabalho lento de explicitação de temas, conceitos e teorias para um público tão imenso e diverso. Todo o livro didático atende apenas uma pequena parcela dos jovens que estão nas escolas do ensino médio, por serem muito caros, além de existir poucos autores da área. Quanto ao mercado, tende a se expandir com a obrigatoriedade da Sociologia, mas penso que cada escola ou professor deverá fazer uma triagem bem planejada sobre a qualidade dos livros, pois existem e aparecerão livros muito ruins.

Qual a sua expectativa de abertura de concursos públicos para preenchimento de cargos de professor de Sociologia?
Isso dependerá de cada secretaria de educação. E como cada uma faz determinadas regras e tem certas prioridades, fica muito difícil fazer uma previsão. Penso que se houver pressão dos professores, dos sindicatos e das organizações que congregam os sociólogos e professores de Sociologia, as perspectivas podem ser melhores. E esta pressão significa principalmente demonstrar que existem professores formados e qualificados para esta atividade, pois a maioria dos cursos de Ciências Sociais formou e forma muito mais licenciados do que bacharéis. Ademais, como só agora foi tornada obrigatória a presença da Sociologia depois de 65 anos, é necessário apoiar o corpo docente para uma atualização. Por outro lado existem milhares de professores de Sociologia que estão deslocados, ministrando aulas de Geografia e História. Se estes forem remanejados para a Sociologia, abriria ainda espaço para historiadores e geógrafos.

Lejeune Mato Grosso de Carvalho é sociólogo, professor, escritor, arabista e vice-presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo (Sinsesp). Possui diversos livros e artigos científicos sobre a profissão publicados.

 

 

 

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