editora Escala
 

Filosofia  
 
 
 

 

Envie para um amigo Imprimir
 
Especialistas debatem voto obrigatório
Para debatedores, a sociedade brasileira ainda não alcançou amaduercimento político
Agência UnB

O placar foi de 4 a 1 a favor da obrigatoriedade do voto na manhã desta segunda-feira (26 de outubro),  durante o debate "Democracia: voto obrigatório ou facultativo", realizado no auditório da Escola Superior do Ministério Público da União. 

 

A discussão, mediada pelo Reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, contou com a participação do jurista e escritor Fábio Konder Comparato, do ex- procurador geral da República Aristides Junqueira, do sociólogo e professor da UnB Eurico Cursino e dos jornalistas Alexandre Garcia e Dora Kramer. "O voto dá a medida da cidadania, mas é também um processo de aprendizado", afirmou o reitor da UnB.

 

Para a maioria dos debatedores, o voto facultativo depende de um amadurecimento político que a sociedade brasileira ainda não alcançou. Konder Comparato, Eurico Cursino, Alexandre Garcia e Aristides Junqueira acreditam que a obrigatoriedade de escolher, em democracias em amadurecimento, tem função pedagógica. "Aprende-se com os erros. Eles fazem parte de qualquer processo de formação", defendeu o professor da UnB.

 

O advogado Aristides Junqueira lembrou que os eleitores podem votar em branco ou nulo, e que, sendo assim, não têm sua liberdade de escolha cerceada pelo Estado. No entendimento dele, a obrigatoriedade recai apenas sobre a necessidade de comparecimento aos cartórios eleitorais. "O ideal seria o voto facultativo, mas a realidade desigual do nosso país torna este instrumento inviável". Para ele, um sistema facultativo tornaria o voto ainda mais "negociável".

 

A voz discordante foi a da jornalista Dora Kramer. Ela questionou os colegas de mesa sobre os avanços na relação político/eleitor desde que o voto direto e obrigatório foi instituído. "Nós somos obrigados a votar, já o político não é obrigado a fazer a parte dele", provocou Dora. A jornalista aposta que os políticos se esforçariam mais para conquistar votos, caso os eleitores não estivessem obrigados a votar. "Temos de dificultar um pouco a vida deste pessoal (os políticos). A vida deles é fácil, por isso vemos tantos comportamentos abusivos".

 

Cidadania

 

A defesa mais incisiva do voto obrigatório foi feita pelo jurista Fábio Konder Comparato. Para ele, o voto é um dever público. E, os que não estão dispostos a cumprir com este dever não merecem participar da vida pública. "O cidadão que não se interessa por política é um cidadão inútil", afirmou.

 

Comparato aproveitou a oportunidade para lembrar que a Constituição nem sempre é colocada em prática, que os direitos iguais garantidos por ela nem sempre se verificam. "Existe o Brasil de roupa de gala com suas leis avançadas. E existe o Brasil real, onde quem manda se faz obedecer."

 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, e a ministra Cármen Lúcia, diretoria da Escola Judiciária Eleitoral do TSE, consideraram o encontro como uma oportunidade de fazer valer a palavra democracia. "Saio daqui com muitas inquietações provocadas pelos debatedores, o que só reforça a importância deste encontro", afirmou Ayres Britto. "Democracia são todos, juntos, buscando o melhor para o país", concluiu Cármen Lúcia.

 

 

 

Assinaturas
 
Assine as publicações do núcleo Ciência & Vida.
Matérias, novidades acadêmicas, reportagens e muito mais.
Filosofia História Sociologia Psique
 
Edição nº 25
SUMÁRIO DA EDIÇÃO
MATÉRIA DE CAPA
REPORTAGENS
QUADRO NEGRO
SOCIÓLOGO DO MÊS
EDIÇÕES ANTERIORES
EXPEDIENTE
FILOSOFIA
LEITURAS DA HISTÓRIA
PSIQUE
SOCIOLOGIA
AGENDA
ARTIGOS
 
Busca
Buscar
 
 
Newsletter
Cadastre-se e fique atualizado diariamente com nosso conteúdo.
  OK
 
 
Institucional
Publicidade
Adicionar Favorito
Links Úteis
 
 
Legenda
O acesso ao conteúdo do portal Ciência&Vida é identificado por cards.
Assinante
Cadastrado



  ContentStuff - Sistema de Gerenciamento de Conteúdo - CMS