Após o trauma, a superação Segundo estudos epidemiológicos, de 8% a 10% da população apresenta o Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Porém, a detecção e o tratamento precoce implicam no sofrimento abreviado dos pacientes
Por Julio Peres
A exposição a situações traumáticas tem sido constante ao longo de toda a História da humanidade. Na literatura, na arte e nas mais diversas áreas é incontável o número de indivíduos que, em algum momento, registraram um quadro de sofrimento traumático. Entre as principais sequelas psicológicas causadas pelo impacto de experiências traumáticas estão os medos específicos, que se tornam condicionados a qualquer aproximação semelhante ao trauma.
Recordações aflitivas, revivescência do trauma (pesadelos, pensamentos intrusivos, memórias traumáticas recorrentes), esquiva/entorpecimento emocional (distanciamento afetivo, anestesia emocional) e hiperestimulação autonômica (irritabilidade, insônia, hipervigilância), entre outros sintomas, podem ser indicadores do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
Estudos epidemiológicos estimaram que a prevalência ao longo da vida para ocorrência de eventos potencialmente traumáticos pode alcançar de 50% a 90%, e que a prevalência do TEPT na população geral é estimada de 8% a 10%. Um número maior de pessoas traumatizadas não preenche os critérios diagnósticos do TEPT ou de outros transtornos psiquiátricos. Essas pessoas podem apresentar o TEPT parcial (ou subsindrômico) - correspondentes a 30% da população.
Na prática, isso significa que a maioria de nós vivenciou ou vivenciará pelo menos uma experiência passível de causar trauma psicológico. Sem dúvida, trata-se de um número bastante expressivo, mas é importante lembrar que eventos estressores em si não levam obrigatoriamente à manifestação de traumas psicológicos. Experiências intensas e devastadoras podem disparar efeitos variáveis.
A teoria da "reação universal ao trauma" foi relativizada a partir de estudos que mostraram a grande variedade de processamentos individuais ante os episódios dolorosos ocorridos durante a vida e as emoções básicas. Muitas vítimas de eventos estressores procuram ajuda profissional, literatura, apoio de amigos, enquanto outras enfatizam o silêncio, o isolamento, o colapso e/ou a vitimização.
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