Biografia Fidel Castro Fidel, Da Revolução à Ditadura O ex-presidente de Cuba, que completa 83 anos em agosto de 2009, continua a ser uma figura polêmica. Venerado e odiado na mesma proporção pelas estratégias e atitudes que tomou durante sua vida política, Fidel mostra que ainda comanda o governo cubano, mesmo afastado do poder
Por Sérgio Pereira Couto
Fevereiro de 2008. Os jornais noticiam a reação mundial à renúncia de Fidel Castro à presidência de Cuba. O secretário de Estado da França, Jean-Pierre Jouyet, declara que seu país espera que a decisão de Castro "abra um novo caminho e que exista mais democracia no país - o castrismo tem sido o símbolo do totalitarismo". Já a secretária de Estado espanhola para a Ibero-América, Trinidad Jiménez, disse que "esse é o momento em que Raúl Castro vai poder assumir com mais capacidade, solidez e confiança esse projeto de reformas. Ele mesmo já havia falado isso, e creio que poderia começar a realizar agora esse grupo de reformas".
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Acima, o comandante faz sua entrada triunfal em Havana, já conquistada por seus homens, em 8 de janeiro de 1959. O ditador Batista fugiu, levando uma fortuna incalculável, e a multidão acolhe calorosamente o homem que, desde esse momento, governará Cuba por 48 anos |
Em resumo, as principais nações fizeram questão de se manifestar quando a notícia correu pelo mundo. As reações foram as mais variadas possíveis, mas todas pareciam apontar para uma unanimidade: Cuba necessitava de uma oportunidade para finalmente se democratizar. E a renúncia de Fidel parecia ser o momento que todos aguardavam com ansiedade.
Historiadores como o argentino José Ignacio García Hamilton (1943-2009) afirmam que Fidel teve uma trajetória política semelhante à de líderes latino-americanos do século XIX, como José de San Martín (1778-1850) e Simón Bolívar (1783-1830). Hamilton explica que os dois exemplos históricos chegaram ao poder pela libertação de seus povos, mas que depois tentaram ficar em caráter permanente nas lideranças. Fidel seria um terceiro exemplo e o mais perigoso deles, já que ele se tornou, na opinião do historiador, "um ditador pior do que seu principal inimigo, Fulgêncio Batista (1901-1973)", que foi derrubado pela Revolução Cubana, em 1959. Para Hamilton, a única diferença entre Fidel e Fulgêncio foi o tempo de permanência no poder - quesito em que o primeiro ganha de disparada.
A exemplo de tantos outros líderes políticos, Fidel Castro continua a ser uma figura polêmica. Há quem ou ame e há quem o odeie, mas dificilmente encontra-se um meio-termo. O líder do Partido Comunista da Federação Russa, Guennadi Ziuganov, chamou o ex-presidente cubano de "político genial, responsável e valente em nome dos interesses de seu país e seu povo". Mas, afinal, o que Fidel tem, capaz de despertar tantos sentimentos diferentes?
JUVENTUDE E VIDA DE ESTUDANTE
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Quando criança, aluno dos jesuítas, em Santiago de Cuba e em Havana, Fidel Castro se revela um menino inteligente e cheio de vontade |
Nascido em 13 de agosto de 1926, no pequeno povoado de Birán, hoje conhecido como Província de Holguín, localizado na parte leste de Cuba, Fidel é filho de um imigrante espanhol e latifundiário vindo da Galiza, chamado Ángel Castro, e de uma trabalhadora que conseguiu emprego em sua fazenda, Lina Ruz. Aos 4 anos de idade foi enviado para Santiago de Cuba pelo pai e foi batizado somente aos 8 anos, com o nome de Fidel Hipólito. Apenas quando completou 17 anos foi reconhecido oficialmente e registrado com seu nome definitivo: Fidel Alejandro Castro Ruz. Seu pai ainda teve dois filhos com a primeira esposa e mais três com a mãe de Fidel, entre eles o sucessor no governo cubano, Raúl Castro.
Sua infância é envolta em histórias curiosas, como a que narra sua incrível capacidade de memorização. Diz-se, inclusive, que ele podia memorizar livros inteiros. Canhoto, foi educado em colégios jesuítas como o La Salle e o Dolores, ambos em Santiago, e o Colegio Belén, de Marianao. Chegou até a exercer a função de coroinha. Além disso, foi premiado como melhor atleta estudantil secundarista em 1944, posição obtida devido à sua altura e físico. Também praticava beisebol, o esporte nacional cubano.
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Fulgêncio Batista foi um dos maiores inimigos de Fidel. Ele comandou Cuba de 1933 a 1940, tornando-se em seguida o presidente oficial de 1940 a 1944 e novamente de 1952 a 1959 |
Em 1945, entrou para a Universidade de Havana e, durante o segundo ano do curso, editou com Baudilio Castellanos o periódico mensal Saeta, impresso em mimeógrafo e distribuído gratuitamente, no qual reproduzia conferências de classes. Não demorou muito para que o jovem Fidel se acostumasse a ser líder estudantil. Formou-se em Direito em 1949, mas não antes de ser dirigente da Federação de Estudantes Universitários (FEU) e participar de alguns eventos, como a expedição frustrada, em 1947, de Cayo Confites contra a ditadura de Rafael Leónidas Trujillo (1891-1961), na República Dominicana. Fidel também colaborou com o Congresso Latino-Americano de Estudantes, que aconteceu simultaneamente com a IX Conferência Panamericana, em 1948, em Bogotá, que o permitiu manter contato com o intelectual e cineasta cubano Alfredo Guevara, um dos fundadores do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC), criado em 1959.
Já formado em Direito, casou-se com a estudante de Filosofia Mirta Diaz-Balart, em 1948, de quem se divorciou seis anos depois. O filho dessa relação, Fidel Castro Diaz-Balart, também conhecido como Fidelito, nasceu em 1949 e trabalhou como chefe da comissão de energia atômica do país. Hoje é físico nuclear e assessor científico do governo cubano.
Pouco tempo depois, em 1956, nasceu Alina Fernández, fruto de um caso extraconjugal que Fidel manteve com Natalia Revuelta. Alina só soube que era filha do ditador quando tinha 10 anos, e hoje vive como exilada nos Estados Unidos, terra que adotou desde 1993. A irmã de Fidel, Juanita Castro Ruz, também é exilada política e vive na mesma cidade.
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