A fundamentação Oriental da Filosofa ocidental Na Antiguidade ou em tempos mais recentes, muitos filósofos ocidentais contruíram seus sistemas de pensamento baseadis em ideias vidas do Oriente
Por Alexey Dodsworth
Não é nada incomum - ao contrário, é extremamente corriqueiro - que nos deparemos com o termo "filosofia" sendo utilizado dentro de um sentido que foge completamente ao acadêmico. Falamos em "filosofia de vida" como forma de referência às nossas crenças particulares, às coisas que acreditamos como sendo certas ou erradas. Dizemos frases tais quais "a minha filosofia de vida", ou "segundo a filosofia da minha avó" e mal nos apercebemos do fato de que, mesmo quando dizemos detestar as abstrações da Filosofia, isso ainda assim é um tipo de pensamento filosófico. Olhando por este lado, é natural considerar que a maioria dos seres humanos em várias culturas pensa, reflete, pondera e chama a todos estes procedimentos de "Filosofia".
Academicamente falando, a coisa é um tanto diferente. Em primeiro lugar, ninguém se torna filósofo por se formar numa faculdade, por mais bem reputada que ela seja e por melhores que sejam as notas no histórico escolar. São raros os indivíduos que construíram um pensamento criterioso e original e que podem ser reconhecidos academicamente como sendo "filósofos". Ou seja: quando falamos em "filosofia de vida", não estamos nos referindo ao pensar criterioso que constitui o procedimento filosófico. Afinal, nem sempre a tal "filosofia de vida" deriva de um pensamento criterioso, podendo ser mera repetição de um hábito mental ou emocional que nada tem de amor à verdade. Pode ser apenas um condicionamento que nada tem de reflexivo.
Alexey Dodsworth é bacharel em Filosofa pela USJT, graduando em Astronomia pela USP e membro da MENSA
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| Alexandre, o Grande, no templo de Jerusalém. O rei da Macedônia teria enviado Pirro de Elias, pai do ceticismo, à Índia para que estudasse com os sábios indianos e trouxesse a doutrina destes para o Ocidente |
Deste modo, há o emprego do termo num sentido coloquial e o emprego do mesmo termo num sentido acadêmico.
Vemos também a palavra "filosofia" ser continuamente utilizada em outro contexto, em que seria mais válido, stricto sensu, falarmos em "Teosofia". Há uma substancial diferença entre uma coisa e outra, muito embora não caiba aqui um juízo de valor que estabeleça a Filosofia como sendo superior à Teosofia, ou vice-versa. Estabelecer a diferença não envolve criar uma competição que vise a aferir o que é melhor ou pior, vale salientar. Ao contrário: estabelecer a diferença é uma forma de valorizar o que cada saber tem a oferecer.
FILOSOFIA E TEOSOFIA
Aristóteles, em sua Metafísica, afirma que Tales de Mileto e seus discípulos foram os primeiros filósofos. Isso não significa que antes de Tales ninguém refletisse ou ponderasse, e não significa que não houvesse uma literatura rica em mensagens de sabedoria antes dos gregos. Obras clássicas e muito mais antigas do que a Bíblia, como os Vedas (livros sagrados da Índia) estão repletas de mensagens de sabedoria às quais muitos se referem como sendo "Filosofia oriental". Todavia, há uma imensa diferença entre as verdades reveladas à nossa disposição oferecidas pela Bíblia, pelos Vedas ou pelo Alcorão e a obra filosófica que nos foi legada por Platão, Espinosa, Deleuze ou Kant. No caso dos ditos livros sagrados, o saber disponível ali foi supostamente revelado por Deus, utilizando agentes humanos como escribas, constituindo, portanto, obras teosóficas (do grego theos, "Deus" e sophos, "sabedoria", ou "sabedoria divina"). Totalmente diferente é o legado do pensamento de Kant, ou de David Hume, do próprio Aristóteles, etc. Nenhum desses homens alega ter recebido uma visão divina. Seus escritos derivam de suas próprias mentes, das reflexões que teceram a partir do confronto com o mundo circundante ou mesmo do confronto com obras filosóficas passadas. A isso chamaríamos de Filosofia: o pensar criterioso que surge como o resultado de um trabalho da mente humana. E, por mais criterioso que seja este pensar humano, ele se submete a contestações. O mesmo não se dá com o saber proveniente da Teosofia, mesmo que ela seja milenar como a oferecida pelos Vedas. Relacionar-se com os Vedas exige entrega total, é um ato de fé em que não cabem questionamentos da mente humana, considerada por demais falível. Seria preciso - segundo o pensamento védico - um ato de total confiança e entrega para que Deus se revelasse e, com ele, toda a Verdade com "V maiúsculo". Note-se que tal condição não é nada diferente daquela preconizada por Santo Agostinho que, muito depois dos Vedas, evoca a mesma entrega incondicional às verdades bíblicas.
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